QUANTO CU$TA GUARDAR UM DOCUMENTO QUE NÃO PRECISA SER GUARDADO?
Na Arquivologia, guardar um documento além do seu tempo útil não é uma demonstração de precaução ou zelo, é gestão ineficiente. Um arquivo não é um depósito de papéis ou um HD sem fundo, sem limite, como muitos ainda pensam, mas um organismo vivo regido pelo ciclo de vida dos documentos (Teoria das Três Idades) e por instrumentos fundamentais como a Tabela de Temporalidade Documental (TTD).
Quando uma instituição falha em aplicar a destinação final (eliminação ou guarda permanente), ela assume custos visíveis e invisíveis que afetam diretamente o orçamento, a segurança e a produtividade do negócio.
A seguir, vamos analisar cada um desses cu$tos.
Cu$to espacial e estrutural
Tanto no meio físico quanto no digital, a manutenção de documentos desnecessários gera despesas diretas recorrentes:
- arquivo físico: há custos com aluguel de m², caixas box, estantes, climatização, energia, controle de pragas, prevenção de incêndios e transporte, onde cada metro linear ocupado por documentos prescritos é um espaço a menos para atividades finalísticas ou expansão operacional;
- arquivo digital: é necessário armazenamento em nuvem ou em servidores locais (storage), rotinas de backup, licenciamento de softwares e infraestrutura de rede, portanto, é um mito achar que o espaço digital é infinito e barato, principalmente ao acumular a massa documental obsoleta ou sem valor probatório.
Cu$to operacional e de produtividade
A falta de uma rotina sistemática de expurgo documental a partir da aplicação da TTD afeta diretamente a eficiência das equipes:
- sobrecarga de trabalho: equipes gastam horas organizando, migrando ou indexando acervos desprovidos de valor administrativo, jurídico, fiscal ou histórico;
- tempo de busca: quanto maior o volume não avaliado em termos de destinação, mais demorada é a localização de documentos que realmente importam.
Cu$to legal, de conformidade e riscos
Na Arquivologia, um documento guardado indevidamente pode se tornar um passivo jurídico significativo, sujeito a pelejas judiciais:
- LGPD e privacidade: reter dados pessoais além do período legal de guarda ou sem base legal expressa viola os princípios da minimização e da limitação da conservação, sujeitando a organização a multas pesadas;
- vazamento de dados: documentos esquecidos em servidores ou arquivos físicos continuam expostos a incidentes de segurança, acessos não autorizados e sequestro de dados;
- risco de contradição jurídica: rascunhos, versões desatualizadas ou notas informais mantidas indevidamente podem ser requisitados em auditorias e processos judiciais, gerando interpretações equivocadas.
Cu$to ambiental
A preservação desnecessária também cobra seu preço na sustentabilidade:
- desperdício de insumos: consumo desnecessário de papel, plásticos e pastas no arquivo físico;
- poluição digital: servidores mantidos ligados 24/7 para armazenar terabytes de dados inúteis geram calor, exigindo um alto consumo de energia e de água para resfriamento.
A explicação não quantifica os custos, mas já permite dimensionar a situação e suas perdas. E como se deve proceder? A resposta é: Tabela de Temporalidade Documental.
A solução para estancar essa sangria financeira e operacional não é o descarte indiscriminado, mas a gestão documental, que tem à frente a elaboração e a aplicação TTD. Com esse instrumento é possível identificar com precisão:
- fase corrente: uso frequente para cumprimento do objetivo inicial;
- fase intermediária: espera do cumprimento dos prazos prescricionais ou operacionais (uso eventual).
- destinação final:
- eliminação (quando extinto qualquer valor administrativo, legal ou fiscal) ou
- guarda permanente (para documentos com valor histórico, probatório ou informativo).
Como foi evidenciado, guardar um documento que não precisa ser guardado custa caro, custa espaço, tempo, energia, segurança e conformidade legal. A gestão documental não existe apenas para preservar a memória ou organizar documentos, mas para garantir que a eliminação seja feita com segurança jurídica e eficiência econômica.
Descartar o desnecessário dentro da legalidade é um dos investimentos de maior retorno para qualquer organização. Na Mrh Arquivos fazemos a gestão documental dos arquivos de nossos clientes, elaborando a Tabela de Temporalidade Documental, que garante a eliminação precisa, segura e legal.
Por Ana Luiza Chaves,
Bibliotecária, Analista de Projetos de Arquivo.